segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sete cidades


 Acho que esse foi o banho mais longo que eu já tive. Uma hora, uma hora e meia, não sei. Depois preferi dizer que eu não estive chorando, que meus olhos vermelhos eram pelo sabonete. Sei lá, não quis saber se alguém acreditou ou não. Vai ver, eu nunca tinha parado para ver minha vida deste ângulo, desta maneira tão diferente. Dessa vez não teve passado ou futuro, tudo se misturou, como se fossem um. Acho que eu nunca tinha reparado em como meu mundo é bobo, e cheio de complexidades. Acho que eu nunca quis realmente reparar.
 Meus medos estavam todos lá, jogados, quase inexistentes, e eles não pareciam tão assustadores dessa vez. As promessas e a saudade voltaram, e acho que é isso que não está me fazendo dormir esta noite.
  É engraçado, mais as coisas estão tão iguais de como eu pensava ser diferente, vai ver seja o medo de tentar de novo e quebrar a cara mais uma vez, acho que é melhor não me adiantar como nas vezes anteriores. Vamos deixar este ar perfeito de cinema em casa, vamos deixar as coisas fluírem sem pressa, vai ver possa ser diferente desta vez.
  Eu estou te dando pistas para o caminho certo, você pode segui-los, ou não. Isso só depende de você e o esforço para aceitar meus erros e medos. Não sei se eu posso valer o esforço de entender meus mistérios, mais e adoraria que você conseguisse vencê-los.

domingo, 3 de abril de 2011

Perdidos no espaço

Tenho urgência da vida. Quero criar, realizar, mudar. Fazer mil mundos para me esconder quando a realidade pesar demais nos meus ombros. Quero que alguém diga: “Sim, eu a conheci, e nunca mais vou esquecê-la”. Quero olhar para trás, quando alcançar lá meus 70 anos e pensar: “Eu li, reli e fiz a história”.
É, caros amigos, eu não quero só ser lembrada, eu quero viver, não quero ser mais uma dessas pessoas que passam pela vida, como se não fossem nada, apenas passam. Quero descobrir e redescobrir o mundo, porque é fácil demais apenas estar nele.
 Sabe, a vida passa rápido demais, não quero ficar aqui sentada enquanto tem um mundo lá fora, pronto a ser explorado. Eu não vou ver minha vida passar por mim, enquanto a rotina toma conta dos meus dias.

 Eu estou pronta para o mundo, e dessa vez, nada vai me segurar.

sábado, 2 de abril de 2011

Último romance

Acho que estou me adiando demais. Quem precisa de abraços e beijos como os clichês de filmes românticos de inverno? Achei que eu precisasse, sei lá, você parecia tão perto, tão à vontade, como se tudo estivesse ao ponto de se realizar, como naqueles filmes banais de final feliz no baile, sabe? Sim, nos filmes tudo acaba bem, ficção com popularidade é igual a dólares, não?
 Mas eu sei que estava enganada, e ainda não consigo encontrar uma metáfora boa o suficiente. Agora, vamos deixar subentendido, eu escondo que achei que o interesse era recíproco e você não diz a respeito de meus defeitos e carências. E eu me pergunto o que é isso no ar, se são detritos da minha falta de tato ou se é apenas mais um de meus devaneios incompletos e indecisos.
 Não vou dissertar sobre minhas qualidades ou defeitos, vamos deixar um mistério, daquele tipo que não interessa a ninguém, mesmo que isto custe solidão e carência. Não quero mais precisar de alguém que diga “eu te amo” em um sussurro, enquanto me abraça, ou alguém que diga que sentiu minha falta, mesmo estando longe por apenas 1 hora. É, acho que eu não tenho muito talento para relacionamentos, me falta a coragem e a calma, o interesse alheio e a compatibilidade.
Mas acho que para mim, sobram as palavras de consolo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Comédia romântica; Só por hoje

Dessa vez meu coração só terá a função de bombear meu sangue. Não, ele não disparará mais, sabe por quê? Não quero mais saber de relações incorretas, ou paixões não correspondidas. É, dessa vez será somente eu e meu amor próprio, e nada mais nos separará.
 Pode parar de fazer charme querido, agora apenas matemática me atrai, são formulas e resultados certos, nada de incógnito na minha vida. Olhares e sorrisos, eu passo pra próxima. Chega de borboletas no estômago, tremedeiras. Como se firma os pés nas nuvens? O certo é o certo, e as paixões são incompletas.
 Querido, dessa vez eu não vou mais sonhar acordada com dias que não viram, só pelo simples prazer de fazer real na minha mente caótica. E não vou mais perder horas e horas tentando simplesmente chamar a atenção, você não me vê? Que pena, amor.
 Os resultados iram ser certos.
Mas sabe? Eu nunca fui suficientemente boa em matemática, às vezes o certo, não é tão certo assim.

domingo, 13 de março de 2011

A aventura; Caminhos convergentes.

 Ela era apaixonada por ele, não se sabe como, eles nunca tiveram sequer uma conversa, talvez fosse pelos olhos, ou pelo sorriso dele, ninguém sabe. Ele não sabia desse detalhe, não sabia das noites que ela passava acordada, imaginando momentos que nunca iriam se concretizar. Ela o olhava timidamente, sorria às vezes, tentava ser fazer vista. Ele não a notava, não sabia se ela usava preto ou azul, nem onde estava ou o que fazia, ela era totalmente invisível. Não se sabe ao certo o que mantinha aquela paixão dentro dela. Era um dia como outro dia qualquer para ele, mas para ela era um pedacinho de, quem sabe, um sonho realizado. Houve três conversas, dois olhares e um sorriso. Depois, sem mais nada a ser dito, cada um seguiu seu próprio caminho, ninguém nunca mais o viu.

 O futuro é incerto demais, hoje estamos aqui, amanha quem sabe? É triste, mas cada um segue seu próprio caminho, cada um escolhe para si o que lhe achar certo. Não se anda de mãos dadas, não se troca bilhetes ou se vive inteiramente para os outros.
 As verdadeiras amizades não se vão, não se acabam. Elas permanecem, mesmo depois de muito tempo distante, mesmo depois de muita coisa vivida e separada. Nós não queremos, e até lutamos contra, mas sempre fazemos as escolhas certas, independentemente de quem ficará para trás. Ah, e a saudade… Ela vai acabando pouco a pouco com nossos sentidos, ela entorpece, ela irrita, ela machuca. Voltar para o passado, parar no presente? Nada adianta, não veremos mais aqueles que um dia estavam conosco, lado a lado, caminhando junto, e o que resta é seguir pelo futuro incerto, com esperanças e frustrações.
 Sabe, esse caminho é até um pouco solitário, pode ser de trevas e folhas secas, ou de bosques repletos de flores em primavera, podem chover, formar tempestades, ou um céu azul resplandecente, cheio de cores. Pode nos fazer querer voltar, ou criar atalhos. Pode nos fazer rir ou chorar, isso só dependerá de nós, e nossas escolhas. 
  Talvez nós não pudéssemos criar laços por medo da partida. Mas quem liga para as dores de uma coisa incerteza? Pra que não viver o momento com medo do futuro?  Quem liga pra caminhos separados, quando se tem um coração conjunto? Eu não ligo.
  
  Aprendi que ao conhecer o mundo e as pessoas, me conheço melhor, e assim tomarei as decisões certas. Em cada momento que vivi, lutei, por idéias, sonhos, projetos...
  Sei hoje, com o passar do tempo, que tive caminhos de dor, mas que ficaram no passado.
    Nossos caminhos são como duas paralelas, seguem juntos e mesmo assim tão separados, convergem para o mesmo sentido, para algum lugar…
 Infinito... No amanhã…

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sistema Cardiovascular

  Para mim, o coração era só um órgão propulsor do sangue, não doía, ou amava. Talvez seja, mas é estranho que só o cérebro nos faça sentir tantas coisas.
   Uma vez ouvi alguém dizer “Siga o seu coração” e isso soou estranho, até um pouco cômico, porque eu nunca soube na verdade o real sentido de seguir o meu coração. Mas eu penso que, talvez, seguir o coração seja não pensar nas conseqüências de uma escolha ou atitude. Agir por impulso sem se preocupar.
  Sei, sigo meu coração sem saber, quando menos espero, faço coisas sem pensar, sem entender.
 Ma eu prefiro pensar nas minhas escolhas, trilhar meu próprio caminho, porque o destino é pra quem tem preguiça de passar por barreiras, de destruir muralhas e passear sem pontes. Mas é como dizem, nosso coração sempre tem a razão, não é verdade?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

So far away...

 Sabe, eu sou bipolar, vou da alegria à tristeza em segundos, posso sorrir como a pessoa mais feliz do mundo, para logo depois chorar como a mais infeliz.
 É, essa confusão de sentimentos é grande, e eu não consigo controlar. Mas acho que tudo isso aumentou quando eu encontrei seu sorriso no meio de tantos outros. Você não sorria pra mim, é claro, mas seu sorriso mexeu comigo garoto, você não sabe o quanto. E eu me arrependi de não ter reparado no teu sorriso antes, porque você esteve lá por tempo demais, e eu não vi.
E esse é outro de tantos defeitos que tenho, não reparo nas coisas, apenas quando elas vão embora. Sabe, acho que eu estava presa em um mundinho platônico, e esse mundinho era minha área de conforto, nunca foi cômodo sair de lá para reparar nos sorrisos a minha volta. Sabe, o sol batia no seu rosto e alguma coisa refletiu em mim, e eu agradeço a isso, pois meus pés nunca estiveram tão longe do chão como naquele momento, foi uma sensação única, meio clichê também, mas meu coração agradeceu com cada batida descompassada enquanto você passava por mim sem nem ao menos me notar.
Entre tantas coisas que eu gostava em você, seus olhos eram os que mais me confundiam. Era estranho, eu me perdia neles sem você nem se dar conta, e eu adorava a sensação, eles eram como ‘céu cinza chuvoso’. Eu sei que nunca foram assim, cinzas, mas eu sei que amaria eles em qualquer forma e cor.
 Eu odeio não ter auto-controle. Odeio quando a vergonha me faz não sorrir de volta, e então você chegou e quebrou essa barreira, ainda não sei como, mas você conseguiu fazer com que essa vergonha de ‘olhar de volta’ não existisse quando se tratava de você, mas eu agradeci, mesmo meu auto-controle chegando a zero quando você estava perto, e eu não tinha noção de mais nada.
 Lembro-me de quando uma das minhas melhores amigas disse “Tudo que é bom dura pouco”, e o tempo que eu tinha passava rápido, rápido demais. Logo só restaram cinco dias, apenas cinco dias, e eu não te veria mais.  Não haveria mais sorrisos e olhares, não haveria mais nada. Sim, eu te queria perto, tanto quanto eu nunca quis na vida, mas era tão difícil chegar até você, mesmo com amigos em comum, e eu tentava falar com você quando eu podia, mas eu sei querido, você nunca deu a mínima, e eu não te culpo.
Eu que fui a idiota da história, e eu continuo sendo. Porque eu ainda guardo para mim todos aqueles cinco dias.
 Sim, dois monólogos não fazem um diálogo, uma pergunta sem resposta também não.
 Os dias se passaram como se fossem um, e o último minuto chegou, aquele que eu queria evitar a qualquer custo. Eu nunca quis tanto o dom de poder parar o tempo quanto naquele dia. Você não sentiu nada, nem sequer notou minhas crises de bipolaridade. Garoto, eu senti em dobro. Você nunca teve motivos para se aproximar, nunca teve vontade, e você não sabe quanto isso machuca. O dom de me fazer invisível era só seu.
 E nunca vou esquecer o momento que eu fui embora, e depois você nem sequer olhou pra trás. Por mais que doesse, eu ainda queria me agarrar a um fio de esperança. E você nunca deixou nenhuma, eu que sempre alimentei expectativas falsas. Aquele dia eu não chorei, meu pensamento de “isso vai passar tão rápido quanto veio” ficou presente a noite toda. E nós entramos de férias.
  Um mês depois eu vi você, e tudo aquilo que eu não tinha esquecido voltou mais forte ainda. Foi um pequeno olhar, algo como um “Oi” e lá estava a idiota, sonhando acordada novamente. Esse foi meu maior erro, pois logo eu consegui descobrir como poder lhe ver de novo, e eu o fiz. Um diálogo e tanto, duas frases, e seu sorriso me tirou do controle de novo.
Aquilo me fez voltar lá novamente, e ainda não entendo se foi pressa, ou se você só não estava com vontade de olhar meu sorriso idiota de quando você está por perto, e você fingiu que não me viu. É garoto, na verdade eu queria que você tivesse fingido, pois pelo menos seria algum tipo de sentimento, mas eu sei, no fundo do meu coração eu sei, você não me viu, e sabe por que isso não me alivia? Porque eu nunca consegui chamar sua atenção, nem muito menos prender ela.

 Sabe, eu me sinto meio perdida, e ainda procuro nos outros um pouco de você, e quando eu encontro alguma mínima coisa que me faz lembrar você, é ainda pior.
Acho que minha ficha ainda não caiu, e que a estúpida esperança de ver você de novo continua comigo. Mas eu não vou mais voltar a te ver, nem vou mais arrumar pretextos para isso. Porque inevitavelmente as coisas não foram como eu esperava, e as coisas mudaram. Eu sinto falta dos meus amigos, das bagunças, do lugar, e olhar em volta e não ver mais nada do que era, me cansa e machuca. E de tantos sentimentos que eu tenho, a saudade é a pior deles.

 Eu também não gosto quando as coisas chegam ao fim, ou tem que chegar. Não gosto de despedidas, nem de abraços e lágrimas, mas pra mim não vai ter nada disso, e eu agradeço por isso, por não ter que me despedir de você como fiz com os outros. E essa é minha deixa garoto, mesmo sabendo que você nunca lerá isso, e nunca saberá de nada, preciso acabar por aqui.
Eu queria que você soubesse que eu sinto a sua falta, e que eu amo o jeito que você sorri.


And the light you left remains but it's so hard to stay, when I have so much to say and you're so far away... (8)