quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Hora Azul
Querido amigo, hoje é dia 31 de dezembro, o ultimo dia do ano finalmente chegou. Pessoas esperam ansiosamente pela meia noite acreditando que uma vida nova começa. E me pergunto quantas delas tem um plano novo pra seguir, uma nova estrada. Todo aguardam as oportunidades da vida, e fazem promessas entre risos de entusiasmo. Sabe, os dias passaram tão rápidos, foram tantas responsabilidades, tanta falta de tempo. Quais foram as promessas para 2014? Quais eram mesmo os planos? (…) Fico imaginando se voltarei a escrever, da mesma forma que aquela menina não escreve mais à dois anos. Haviam tantas coisas para se dizer, mas agora estou aqui, sem saber como me reinventar com palavras. Preciso do ar que 2014 roubou de mim, preciso deixar que o cansaço escapar pelos poros. (…) Quando o relógio bater meia noite, quero me lembrar de todos os momentos que fizeram meus infinitos, que valeram os 365 dias a pena. Mas é engraçado em como me lembro com clareza, apenas do solstício passado. Talvez amadurecer seja isso, perceber que os dias se passam, e a boa época não volta. Hoje, querido amigo, consigo me lembrar de como era ter 16 anos, e consigo ver, todas aquelas lembranças que viraram fotos antigas. Talvez eu tenha que agradecer, pela chuva que nos pegou de surpresa, pelas musicas que nos acompanharam, pelas tardes em que queríamos que o mundo andasse com mais calma. Hoje não faço parte de nada, apenas do mundo, de todas as lembranças dos momentos que foram importantes apenas pela consciência disso. Hoje quero que o mundo se abra, e que novos caminhos se trilhem, mesmo que a estrada não faça sentido, mesmo que eu me perca no meio do caminho, mas que encontre o sentido novamente. Há um universo de oportunidades, apenas esperando que nós as encontremos.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Aquela antiga canção
Reli Sobre arvores e xícaras de café, e então pude entender. As coisas mudam não é mesmo? Mas porque me encontro exatamente na mesma situação? Hoje é domingo, e a chuva não cai do lado de fora, só havia aquele sol brilhante e o calor que não me deixou dormir. Estive lendo aquelas mesmas cartas, das 12h30 às 18h00, e minha cabeça continua cheia. Não falei sobre árvores e não tomei café. Porém me lembrei do dia anterior, e senti saudade dos nossos infinitos. Em comparação dos anos, minha escrita diminuiu drasticamente. Escrevi 55 textos em 2013, em contra partida, há apenas 11 em 2014. O que há de errado? Cadê a vontade de me expor em palavras? Fico triste em constatar que minha agonia grita e não pode mais sair. Me perdi entre o tempo e não consegui voltar. Há tanto para dizer, e tão pouco sentido, já não sei me colocar na frente, não consigo libertar as palavras que tentam incontrolavelmente achar uma saída. Faltam 10 dias para que 2014 acabe, e eu não sei de que lembranças me orgulharei quando o relógio bater às 00h. Quando foi que me perdi de mim mesma? (…) Sai subitamente da minha rotina, perdi meu emprego, como quem foge para se abrigar. Tenho passado 24 horas em puro ócio, e tenho pensado demais. É que bate aquela nostalgia, sabe? E agora tenho a madrugada como companhia, e tenho medo de voltar a enlouquecer. Quero desesperadamente abraçar o mundo, e ficar esperando o aval do tempo dói! Parece que a vida esta passando pela janela, e eu estou ocupada demais esperando a idade certa para viver. (…) Vi fotos antigas, e me fez sentir falta de 2013. Sinto falta de estar naquele lugar, ouvindo aquelas mesmas músicas, de saber que tudo ficaria bem, porque eu pertencia a algum lugar. Os risos não são sinceros agora, e eu estou vivendo no modo automático. E quando me perguntam sinceramente se estou bem, já não sei o que responder, e só consigo pensar; “Eu estou bem?”. E acabo sorrindo e balançando a cabeça em sinal de afirmação, porque, afinal, não há o que dizer. Passei 8 meses sem tempo para indagações, o tempo me faltava, e eu só queria descansar a cabeça no travesseiro para ter um novo dia. E hoje todas as perguntas que ficaram presas estão sendo jogadas de volta a mim. Antes eu sabia exatamente o que fazer, mas hoje lembrar de como corremos na chuva não está ajudando, porque são lembranças agora, e tudo se transformou em fotografias antigas, e porque não tenho mais 16 anos, e é difícil me lembrar de como era ter essa idade. Você também fracassou, Charlie? Cadê os infinitos agora? Eu realmente não sei. “E diz que só queria descansar, de quem a gente mesmo escolheu ser…” (…) Eu só queria poder repetir tudo o que já escrevi, pois não há mais nada aqui, só um amontoado de dores que já conheço bem, são saudades com gosto de adeus. Dezembro sempre me traz nostalgia, a vontade de ter feito mais com os dias que passaram. É segunda feira, e eu não sei que diferença isso fará. E me lembrei de todos os momentos felizes, mas não consigo me sentir feliz, talvez haja tanto vazio aqui, que não dê para acalentar com lembranças que tanto guardo. É só uma saudade grande de ser quem eu era, de não querer estar em nenhum outro lugar além daquele, e saber qual era o motivo. É triste escrever sobre solidão, o mais triste é saber que já falei tudo o que tinha de dizer, e não há mais palavras, só aquela foto em que todos nos esperávamos que desse certo, e aquele abraço de despedida que não dei em ninguém. Éramos tantos e fomos heróis de nossas próprias histórias em cada parada de estações de trem. (…) Havia tanto para dizer, e agora não consigo chegar ao final. Talvez devesse dizer que ontem eu dormi feliz, o sol se pôs e nós andamos por ai, elas eram novas, estavam entre seus 16 anos, percebi o quanto tinham bons pensamentos para o futuro, e nós olhamos o céu e eu pude me sentir parte de algo novamente. E entre os risos em um ônibus lotado, e eles falavam alto e me lembrei de como era rir de verdade, e não querer estar em outro lugar. Mas o peso disso veio em minhas costas ao acordar, por saber que diferente de antes, esses momentos não eram mais frequentes. Sinto falta dos infinitos, e do azul que aquela menina me falara. E agora, José? O que é que a gente faz da vida? Não sei, nem Drummond sabia. Só que talvez seguir em frente seja a melhor pedida para a noite, juntamente com uma bebida gelada.
domingo, 5 de outubro de 2014
Geografia Sentimental
Outubro chegou, trazendo consigo o outono e um pingo de melancolia. Faltam 2 meses para o ano novo, faltam quase 60 dias para outras promessas serem feitas, e o modo como o tempo passa rápido me assusta. Finais de ano sempre me trazem nostalgias; O que mudou de um ano para cá? Quem eu era antes? Quem eu sou agora? E me perco em perguntas que eu nunca vou saber responder. É complicado, sempre estou a procura de mim mesma, e nunca me encontro. Sabe, tenho escrito tão pouco, me prendi em um buraco de certezas e quase não me exponho. Como posso lidar com a angustia que não morre no papel? É tudo tão pesado, o tempo passa e eu fico no papel de novo, achando que posso me reviver pelas palavras. […]Estive vendo fotos antigas e senti os anos indo embora. Era tudo tão fácil sabe, me sentar no quintal de casa sem a preocupação das horas perdidas, sem saber que a vida tava passando lá fora e ter que correr contra o relógio. Mas é que bate aquela saudade, aquela vontade de voltar 15 anos atrás e me abrigar da realidade. O que era a solidão para aquela menina que tinha seus próprios brinquedos como companhia? […] Passei 3 dias tentando fugir da responsabilidade de existir, dormi mais de 12 horas e me entreguei a vontade de não acordar.Então andamos pela garoa fingindo falar línguas desconhecidas, e o frio ardia os ossos. E pela estrada eu vi o sol se por, e os pássaros voarem, e me senti viva novamente. Por que não fugir de vez? Conheci um moço jovem, que viajava pro ai em uma bicicleta, ele me falou de pedras e sorriu diante a minha admiração. Posso dar o luxo de me perder? Faltam 2 meses para o ano novo, e eu só queria poder me esconder do mundo ou caminhar com mais calma.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Taquicardia
E seguimos sendo assim, nessa prolixidade toda, enquanto acho graça da vida e sorrio o tempo todo. Eu sou de mentira, meu bem, mostrando para o mundo uma carcaça de anseios e futilidade. Querendo me fazer ser vista e distribuindo uma luz que não possuo. E inviabilizo tudo o que é real, descarto tudo o que é de interior, e passo a ser apenas aparência. Como vou me libertar de minhas próprias correntes? Eu quis assumir a bagunça dessa vida vazia, mais há tanta folha em branco aqui, avisando que as palavras podem sim sufocar. Eu tentei me livrar de mim por 5 dias, e fui apenas a liberdade que guardo aqui, andei por ai e me senti completa por estar só. […] A lua mudou, e os 30 dias que causaram transtorno já estão indo também. E usei a lua cheia para dar fim a um ciclo, e como um furacão que não cessa, toda a loucura explodiu. Li numa manhã de sábado que o sólido se desfaz no ar, e o quanto de noradrenalina é preciso para voltar a mim? E tudo está desfeito no ar agora, posso ver os nós desatados em cima de minha cabeça. O que condiz com a realidade em que carrego? Qual a culpa posso ter por não me doar para o mundo? Hoje estou aqui, mas não sei quem sou. Quem é que sorri o tempo inteiro? Quem pensa mais do que a mente aguenta? Perdi-me nos personagens que inventei, só pra ver se conseguia também me inventar, mas o que restou foi à desconexão de todos os polos do meu corpo. E a sanidade vai me corroendo, apresentando o mundo que não quero conhecer, enquanto as pessoas dizem “Olá” e não sabem sorrir de volta. E eu pergunto se esse isolamento é dos outros ou de mim mesma. E tudo é tão mutável sabe, hoje aqui, amanhã ninguém sabe, o mundo gira, e nós seguimos em frente. Quem vai continuar aqui daqui a 10 anos? Eu vou continuar aqui? Perguntas como está me consomem, porque eu não quero a resposta que tenho. Posso correr o risco de mudar? […] Eu nunca soube o que dizer, e hoje não tem mais ninguém aqui para ouvir, as palavras escapam pelos meus dedos, e eu faço do papel publico acústico. As palavras podem sim sufocar, e aprender isso na pratica torna toda madrugada mais pesada. Hoje não tenho nada, sou só o pó daquela que chorou uma madrugada inteira e dormiu com olhos cheios de água. Você não precisava ter ido embora, havia mais que um amontoado de poeira aqui dentro, você só precisava achar, e tava tão fácil, sabe. E é quando a loucura beira o precipício da realidade que nós percebemos o quanto é difícil se levantar e seguir, olhando o sol que bate na janela do ônibus. Acalmei a minha mente e continuei por ai, deixando atrás da porta tudo o que me prende lá também. Quem é essa garota que não sabe ser de ninguém e nem dela mesma? Eu só quero voar por ai, sem a responsabilidade de me fazer existir por mais uma semana, só me deixe aqui, enquanto ainda não tenho asas. Um dia eu as encontro.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Medo da chuva
Quem vai descobrir a verdade sobre a solidão? Não sei. Sou apenas minhas inseguranças, medos e fracassos, acompanhados pelo frio da madrugada que grita e enche a casa com suas lamurias e perguntas que não há respostas. Um dia disseram que a solidão era uma boa companheira, era estar só consigo mesmo, e tentei pensar nisso como algo bom. Mas como posso conviver comigo mesma? Como posso não fugir de mim? Mas agora não há sol, não há livros, não há música e nem gente. Sou apenas eu. Quem pode me salvar dessa louca que não sabe o que quer? Quem pode me salvar de me afundar em loucuras que desconheço? Um dia disseram que o que afoga alguém não é o mergulho, mas sim permanecer debaixo d’água. E foi numa tarde em que a mente pede um pouco de calma, que li sobre um guerreiro da luz. E o guerreiro percebeu que passamos repetidamente por algumas coisas para aprender o que não queremos aprender. E eu percebi que tenho errado muito. (…) Tomei um gole de tristeza, e ela ardeu à garganta, enquanto a tosse não aliviava o arranhado que queimava, eu pude ver as pessoas sobreviverem, e andarem por ai, com o peso do mundo nas costas. Sempre me perguntei como puderam deixar transparecerem assim, e a dor parece tão amiga. E foi numa dessas avenidas em que você não consegue distinguir se a garoa arde mais que o frio, que te encontrei de novo. Você me puxou pela mão e levou a um lugar mais calmo, e falamos sobre a vida. Você também ouviu a música, e eu achei que poderíamos voar por ali, junto com o céu e o topo daquele prédio. Mas eu estava lá sozinha, com todo o grito de saudade entalado na garganta que ainda ardia. Você ouviu o grito que meus olhos denunciaram? Mas eu notei o seu cansaço, a sua vontade de se abrigar e correr para longe. Não te culpo, menino, a chuva foi testemunha de um abraço desajeitado, e de como você não precisava fazer nada disso. Você poderia apenas ter ido, sem volta, sem parada para agradecer, sem tchau de despedida. Apenas ido, e levado suas memórias. Mas você as deixou comigo, junto com a nossa imagem se misturando a cidade e os carros que poderiam ser foguetes. E eu ainda continuo sem ter o que dizer, e o seu sorriso continua sendo o sorriso mais bonito do mundo.(…) Guardo a inspiração, e espero que ela exploda em mim, para transbordar, mas agora não vejo mais o que poderia dizer, já não há inspiração, já não há papel em branco que me salve, e eu enlouqueço por não poder enlouquecer. E eu continuo sendo a mesma de antes, a menina burra que não sabe dizer o que sente, que não sabe receber carinho e nem abraços. Quem poderia ajudar esse monstro que se esconde em sorrisos bobos para a vida? E quebrar a cara já não é o bastante. Cansei de boicotar meu próprio espetáculo, de fechar a cortina na cena principal e acabar com o ápice da peça. Estou sempre a um passo à frente de mim, e me trapaceio, me faço tropeçar, tudo para mostrar que sou melhor sem mim. Eu poderia me deixar de lado, não poderia? Agir como a garota que depois da terceira dose já está conversando com todos e sorrindo pra qualquer um, sendo apenas sombra dançando com as luzes piscantes de um balada qualquer. Quem vê além da carcaça de menina boa que estuda pra entender os outros? E eu volto pra toda essa melancolia de quem não sabe viver por si só. Talvez eu esteja pronta para desistir antes de fracassar. Já são 2 horas de uma quarta feira fria, já são dezenas de pesadelos perdidos, e algumas palavras que não preencheram vazio nenhum. Mas e quando o choro da madrugada não adianta? Quando o soluço é alto, e os olhos começam a inchar? E eu quero gritar para o mundo que a solidão me dói, quero deixar claro aos quatro cantos que é difícil ser sozinho. E além disso quero um abraço e um coração. Um carinho enquanto o sono não chega, e ouvir duas risadas se misturando. Quero um olhar que entende e completa o meu. Muito mais que os amores pedem, eu quero a capacidade de aprender a me doar para que isso tudo de certo, e deixar de lado essa minha preguiça de me deixar existir por inteira.
domingo, 13 de julho de 2014
Por onde andei
Às vezes a gente percebe que as idas são inevitáveis, e qual seria o sentido da vida, a não ser ir embora? E continuo vendo os abraços se perderem em uma esquina qualquer, e tendo que seguir, como todos tem que seguir. Mas as vezes, só as vezes, encontramos algumas almas novamente pelo caminho. E então os encontrei, e não eram só os cabelos que haviam mudado. Perguntei-me quanto tempo fazia, talvez 6 meses pra mais. É como aquela música que não toca mais, que antes significava tanto, e depois só traz lembranças. Mas são estradas diferentes agora. Lembro daquele caminho de supermercado, e em como nós trilhávamos, felizes e falantes, mas dessa vez éramos a lua e eu, e todas aquelas risadas que eu não conseguia participar. Quando foi que ficamos tão distantes? (…) Ouvi uma história há um tempo, consigo imagina-los como uma paixão grande, daquelas que causam faíscas quando se está junto. Quando dois corações se aquecem e entram no mesmo ritmo, e sobre as tardes de domingo, enfeitadas por alguma música que toca baixinho em algum lugar. Mas ela foi embora, simplesmente foi. Em que esquina os abraços deles se perderam? Não sei, talvez nem ele saiba. Só sei que ela foi para longe, e o sonho era maior que os abraços no começo da noite, acompanhadas de promessas não feitas. Mas ela era o presente, não era? Apenas o momento, era hoje aqui amanhã ninguém sabe. Eu te entendi, moço. Ele também era assim, ele era apenas um instante. E como nós fazemos, quando um momento deixou lembranças demais? Quando eles foram embora atrás de algum sonho, e nossos sonhos foram embora junto, naquela mala cheia de roupas em um avião? “E diz que só queria descansar, de quem a gente mesmo escolheu ser, sem querer…” (…) Tentei ir por outros caminhos, mas você ainda está por ai. Em cada olhar e a expressão de não quero papo com ninguém. Em cada sorriso de lado, em cada jeito de gargalhar. Em cada forma de falar, e de agir. Eu continuo te procurando nos outros, procurando algo que se assemelhe a você, e que me traga alguma lembrança sua. Sabe, eu ainda ouço as mesmas músicas, ainda ando pelo mesmo caminho trabalho-faculdade, continuo com o mesmo emprego, a mesma turma de amigos. E você? Não sei. Talvez esteja viajando por ai, com os sonhos todos nos ombros. E eu continuo no mesmo lugar, andando em círculos, a procura de um pouco de você.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Avohai
Olha menina, o céu aqui também deixou de ser azul, é só esse cinza todo sobre nossas cabeças. Eu quero que chova, que alague, e que nos inunde, para que possamos transbordar e esvaziar esse nada que nos preenche. Você me entende, menina, todo esse nada que toma tanto espaço, que pesa nos nossos ombros e faz os olhos não fecharem. Qual o sentido disso tudo? Estamos vivas, não estamos? Por que não podemos fugir, virar donas de nós mesmas e viver perto de toda árvore que desejarmos? As coisas poderiam ser mais simples, não é? (…) E foi naquele momento que rodamos sem parar, e as árvores eram testemunhas, eu pude lembrar dos meus infinitos. Eles estavam tão distantes, tão juntos com a época em que os shows num parque e as rodas de abraços entre amigos faziam as tardes de domingo terem sentido. E lembro de ouvi-lo cantar: “Desculpe estou um pouco atrasado, mas espero que ainda dê tempo de dizer que andei errado, e eu entendo…” e eu lembrei de você, menina, porque sabia que você também sentiria o infinito estando lá. E eu vi dois pássaros voarem ao som de All Star, e o pôr do sol que ganhou cor através do escuro daquele óculos. Sabe menina, talvez os infinitos ainda existam, e estão ai espalhados, e talvez os encontremos em algum refrão por ai. (…) Eu vi aquele menino ir embora, e por Deus, como desejei que ele ficasse. Mas as pessoas se vão, não é? Os abraços sempre se perdem por ai, e o dele eu perdi numa avenida cheia de carros, enquanto seu olhar me dizia alguma coisa, mas eu não consegui entender. Ele me disse sobre a grama, e o momento certo das coisas acontecerem, mas eu não entendi logo de cara, sabe, o tempo teve que leva-lo embora, para eu perceber que algumas coisas simplesmente não são, e as pessoas só entram nas nossas vidas para nos ensinar algo, e as vezes, só as vezes, deixa na nossa vida, quem tem que ficar. (…) “Um velho cruza a soleira
de botas longas, de barbas longas, de ouro o brilho do seu colar. Na laje fria onde coarava, sua camisa e seu alforje de caçador…” Quem vai nos salvar, de quem nós mesmas escolhemos ser? Eu me sinto tão perdida, como se um universo existente dentro de mim estivesse carregando todo o peso dos mundos, e eu quero poder sair por ai e respirar, e saber que está tudo bem. Como posso procurar algum lugar mais calmo, se eu não sei a onde estou? Já sentiu como se o mundo fosse muito grande, e você apenas uma mínima parte, que tenta de toda forma se agarrar a ele? Como se fosse possível abraçar o mundo com os pés, e passar essa urgência em papel e caneta. Não sei em que esquina eu me perdi, só quero minhas asas para voar. E não há incensos e Ametistas que dê paz nessas noites em que o mundo cai nos ombros.
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