domingo, 21 de junho de 2015

A formula mágica da felicidade

E então você sofre! Chora por aquele amor que não deu certo há meses, sofre pela rotina que está te esgotando, sofre pelo café que esfriou em cima da mesa, pelo sapato que quebrou o salto ou abriu do lado. Você agarra o sofrimento e grita aos 4 ventos que não é feliz, vive por dizer que a vida não presta, que ninguém lhe entende, que o problema é aqui, é lá, é os outros. Nós temos essa mania, agarramos o sofrimento e o chamamos de nosso, porque é mais fácil ser triste, não é? O mundo hoje é um emaranhado de pessoas que não querem se decepcionar, que preferem ao pessimismo à expectativa, que aceitam essa vida mastigada por medo, medo de sofrer e chorar de novo. Sempre acreditei que felicidade fosse ponto de vista, fosse a forma que olhamos para as coisas. As pessoas passam a vida inteira procurando a felicidade, achando que ela estará nas grandes realizações, na casa própria, no carro novo, na viagem para a Disney! Mas não é apenas isso, não se deve esperar para ser feliz, depender de um futuro de coisas materiais que podem não existir. Como disseram uma vez; As pessoas passam a vida inteira achando que a felicidade é uma estação, um ponto de chegada, porém ela é apenas a forma de se chegar lá. Otimista por natureza que sou, acredito que a felicidade está em todo canto, precisamos apenas enxerga-lá!Felicidade está no chorar por aquele amor, porque como diria Cazuza; Se doer demais é porque valeu! E acredite, valeu! Fique feliz por ter dado certo enquanto deu certo, por estar sofrendo e saber que o sofrimento é um aprendizado e você amadurecerá muito com isso! Fique feliz pelas vezes que você foge da rotina, pelo pôr do sol no caminho do trabalho, pelo sorriso que lhe deram enquanto volta para casa. Fique feliz até pelo café que esfriou, ou o sapato que não presta mais, pois estas coisas podem ser substituídas por algo muito melhor. Por um mundo onde mais pessoas vejam o lado bom da vida, pois reclamar nunca melhorou a vida de ninguém. Aceite que o sofrimento é uma escolha e nós podemos dizer ‘sim’ ou ‘não’ para ele.

sábado, 4 de abril de 2015

Albatroz - Terminal Alvorada

Como uma Supernova que explodiu por falta de hidrogênio e o brilho perdurou por um tempo, estive por ai tentando encontrar abrigo em mim mesma. Passeis dois dias me recordando de todos aqueles momentos que envolvia arvores, chuvas e shows e sofri todos os 3 meses que mereciam ser chorados. Lembrei de laissez faire, laissez aller, laissez passer e como o liberalismo industrial podia me fazer transformar o “deixe fazer, deixe ir, deixe passar” em poesia? Foi então que a Fisiocracia econômica se tornou poética; Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même (“Deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo.”).[…] Você se foi mesmo ainda estando presente demais, você partiu da minha vida mesmo que ainda esteja em torno dela, e eu fiquei pra descobrir como meu mundo funcionava, e descobri viu? Foi quando me vi sendo completa que percebi que a felicidade sempre foi minha, foi quando me amei que percebi que não importava mais o amor de ninguém e que todo esse narcisismo me disse quem eu poderia ser. Somos apenas esse instante, e agora nos transformamos em algo mais, e nos perdemos, e nos fazemos e nos formamos. E então percebemos que o que fomos não é mais, e nos perdemos nessa inconstante tentativa de ser. E eu me encontrei quando o Outono chegou, olhando pela janela do ônibus eu pude ver o mundo e ouvir A Praia e saber que estava onde eu devia estar. Hoje não me importo, hoje não há diferença, eu me encontrei quando te perdi no meio daquela tempestade toda, você me chamou para o mundo e hoje o mundo é a minha casa. E o dia alaranjou.

domingo, 22 de março de 2015

A paz do fim

O outono chegou junto com uma lua nova e um recomeço. Não sei se foram os astros, não sei se foi o destino, não sei se foi você ou eu, mas foi, e foi sem dizer o porquê, sem explicar e sem despedir. Quando foi que paramos de fazer sentido? Em que esquina eu me perdi do seu abraço? Só sobraram folhas em brancos com uma história que durou tão pouco, algumas páginas pra prender o fôlego e um final trágico de uma curta metragem que não pode virar filme. Queria que você soubesse que sua ausência faz chover muito mais aqui dentro que lá fora, e não há escuridão que me preencha, não há desespero que me faça enlouquecer, só esse vazio que deixou de fazer sentido. Vem cá e me ofenda, me mostra o quanto eu to errada por querer acabar com tudo de novo, me mostra que eu sou idiota demais para isso e que você pode fazer diferente. Me ofende, me irrite, testa a minha paciência com o seu jeito de descontar sua raiva nos quatro cantos do quarto, só não me deixa aqui com esse buraco que o seu silencio transformou. Não me deixa perceber que o fim chegou e eu não posso mais fazer nada. Vem e me mostra que o mundo não é só isso afinal, que a gente pode se ajeitar na sua cama pequena de novo, enquanto você reclama que eu reclamo demais. Volta pro meu lado e caminha com mais calma, não precisa dizer nada, é do seu abraço que eu preciso agora, é do seu ombro que minha cabeça precisa pra descansar. A gente acabou e eu nem pude me acostumar com a escuridão do seu quarto, nem tinha decorado o caminho da sua casa direito ainda. Quantas amoras ainda faltavam acabar? Nós tínhamos tantas promessas, eu me pergunto cadê a sua de não ir embora, onde foi sua vontade de ficar comigo em mais um domingo sem graça? Sabe menino, seu coração deixou de ser meu abrigo e eu não posso voar para longe. Você me chamou pro mundo e me fez sair do fundo de onde eu estava, agora fico perdida num mundo que não é meu, você soltou minha mão e foi para longe, posso correr o risco de me encontrar agora?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sem cair do céu e Café a dois

Então como sempre eu resolvi escrever do que falar. Nunca fui boa em expressar coisas, eu te disse, mas é que tudo fica tão mais bonito em forma de texto, quando posso medir as palavras mesmo não sabendo medir o sentimento. Talvez eu seja boa com palavras, mas da forma errada, tentando fazer virar poesia o que é mais bonito com o desespero da voz. Você disse que vai estragar minha vida, que não tem mais jeito e eu? Já te aceitei como uma montanha russa descontrolada que eu nunca sei quando vai descer. É como aquela música que te falei, e talvez você seja o fim de tarde, a escuridão da madrugada e um impulso mal pensado. Talvez. Só que não me importo se estamos do lado errado, se eu vejo o copo meio cheio, e você prefere nadar pra longe. Isso não faz diferença se eu puder encostar a cabeça no seu peito e não me preocupar com o tempo la fora. Eu pergunto se você aceita ser meu erro, enquanto te transformo em um acerto, mesmo que continue sendo errado. Porque te achei quando não achava que restava alguém pra encontrar, mas você apareceu na hora certa, e eu te vi por meio dos olhos embaçados de miopia e bebida forte. Quando foi que você se tornou tão importante? Por que parece que te conheço a anos e que já vivemos uma vida, enquanto, ainda sim, sinto que se tem muito pra viver? Não sei, talvez seja por aquele dia que me fez sair de madrugada da cama para ver os raios no céu, e mesmo com medo, achei que você merecia que eu visse. Talvez foi por aquela floresta, que não seria tão bonita se você não estivesse lá segurando a minha mão e eu sentir que não havia nenhum perigo, além de não estar com você. Talvez foram pelos seus olhos, e pelo sol que os iluminou enquanto eu podia vê-los tão perto. Talvez tenha sido pela forma em que seu sorriso muda, e poder perceber que você pode ter vários sorrisos pra vários momentos. Talvez pela forma que me faz rir, e me faz não querer ir embora, e que o momento não vire lembrança, enquanto eu digo que você é idiota, esperando que você saiba que esse é meu melhor elogio, e com ele posso dizer muita coisa. Talvez seja pela forma que seus pés tocam os meus e que eles não ficarão mais frios. Olha, eu disse pra não me deixar nenhuma marca, mas não adiantou, porque já tenho várias marcas suas, e essas ninguém vai poder ver. Vem, me aconchega nesse seu abraço maior que eu, enquanto deixo o cheiro na sua camiseta e me fala que não vai embora, que vai ficar aqui até a gente pular de paraquedas e eu não perder as alianças. Porque sei que as pessoas vão embora, e que o abraço pode se perder em uma esquina qualquer, mas hoje ta tão bonito aqui dentro, e me da tanto medo de que você vá também. Posso perder o medo de te perder? Posso ter certeza de que teremos milhares de céus e fumaças pra admirar? Promete então que a vida é difícil mas que a gente da um jeito enquanto se ajeita na sua cama pequena? Só peço que você fique, porque cansei de escrever sobre partidas, e pela primeira vez não quero escrever sobre um final. Você virou minha primeira página, eu já fiz até o epílogo, e tem tanta folha em branco aqui pra ser escrita. E todas as vezes que paro para te abraçar, é apenas pra me certificar que você ainda está comigo. Não quero mais asas pra voar, talvez eu tenha encontrado ninho no seu coração.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sobre céu de cimento e cau e a fuga número 4

Talvez seja necessário lhe dizer que não é inverno aqui, e que o clima não é tão agradável quanto as tardes em algum filme do Gus Van Sant. Faz um calor maldito, e os ventiladores nunca foram tão utilizados, é janeiro e estamos quase no meio do Verão. Enquanto ouço Youth, talvez pela vigésima vez, senti vontade de voltar ao papel novamente. Você também diminuiu a escrita, não é? Havia tanto para ser dito em 2013, mas acredite que essa maldição aconteceu aqui também. Bom, vendedor de sapatos (me pergunto se ainda está nessa profissão, mas talvez esteja.) devo lhe dizer que o direto daquele filme foi um grandessíssimo enrolador! Um grande absurdo! Aquela história de inverno acabou no verão do ano passado, quando logo começou uma nova, e o personagem novo era um grande cafajeste, daqueles que você nunca sabia onde estaria, mas que tinha uma capacidade incrível de sumir por ai. Não tenho estado mais atarefada com serviços daquela empresa medíocre, sai de lá querendo explodir tudo, como Tyler e os bancos, mas tenho tido mais tempo para observar e lembrar daquelas épocas, é, aquelas em que nós éramos donos do mundo, enquanto íamos para um supermercado atrás de alguma cerveja gelada. Eu não bebia, mas gostava de ver o quanto vocês gostavam daquilo, e que eu aprendi a como segurar uma garrafa. Me sentia uma mafiosa no meio de vocês, tão seguros de si, e na minha mente éramos, mas sem uma AK47, ou charutos cubanos. Lembro daquele show, e das tequilas e de o quanto eu enchi o saco de vocês, meu deus! Mas no final valeu a pena, talvez eu tenha sido uma boa agente Flowers, e fiquei feliz quando vi aquela menina que sempre esteve comigo, sendo feliz. E eu já havia dito isso a ela, sabia? De uma forma anônima em uma rede social, de que ela ainda seria feliz. Gostaria de saber qual música ela ouviria pelo resto da vida agora, se continua sendo Solitary Man, ou mudou para Little Black Submarines. E vejam só, agora morarão juntos! Eu só consigo imaginar um apartamento no centro da cidade, talvez com cachorros, mas com muita Budweiser ou Heineken, talvez tenham até uma geladeira daquelas que tinha no supermercado! Bom, talvez ela não tenha que trabalhar em alguma loja com pessoas que falam mandarim, e você pode continuar vendendo sapatos, e não precisar chamar chave inglesa de llave de burro, e ela ainda vai praguejar quando bater o dedo do pé na quina, mas talvez seja alto, e você consiga entender. E ela talvez entenda sua mania de comer abacate salgado, coisas do Chile, não é? E você não perdeu o amor da sua vida no meio das multidões, ela esta ai, pra combinar um All star vermelho com as listras do seu Adidas. […] Sabe, tenho visto tanta histórias começarem e acabarem, uma de 5 anos! Ela foi embora, ele continuou na vida de faculdade e emprego. Vi também aquela menina que infelizmente sempre escolhe os caras errados, sofrer novamente. Eu que preciso conversar com o diretor dessa vez! Como pode isso, ela sofrendo dessa forma? Não sei, talvez nem o diretor mesmo saiba. Mas devo te contar uma história, que começou a pouco, talvez há 2 semanas. Eu estava por ai, como quem quer deixar o ultimo fôlego numa festa, e viver. Você com toda certeza acharia o lugar muito engraçado, muitas luzes e musica alta, decoração esquisita e muita gente alucinada. Mas foi enquanto fugia da musica ruim e tentava tomar um pouco de fôlego que o diretor gravou uma nova cena. Bom, devo acrescentar que havia tequila, e minha cabeça já estava daquele jeito que vocês conhecem. Havia aquela área de fumantes, e pode se tranquilizar, eu obedeci a sua ameaça, e encostei em alguma parede. Virgem santíssima, eu estava completamente empalhada! Como se tivesse exonerado ali mesmo em pé! Mas tive tempo de ouvir o final de uma conversa; “Mulher consegue o que quer, agora nós, homens…”. Acho que era isso. E eu me intrometi e disse algumas coisas sobre auto estima, não lembro, era coisa demais pra uma mente embriagada, e aquele garoto me abordou com uma cantada digna de parabéns. E eu entendi que homens quando querem, também conseguem o que quer. Agora me vem aquela música na cabeça; “Eduardo e Mônica não eram nada parecidos, ela era de leão e ele tinha 16…”, talvez só a parte do 16 esteja certa, e aquela parte; “Quem um dia irá dizer que existe razão?”, quem irá mesmo dizer? […] Sabe vendedor de sapatos, havia uma floresta e toda a delicadeza de ouvir o vento batendo nas arvores, e só havíamos nós, o vento e a música (e as vezes barulho de insetos). E eu lembrei do pedido que fiz na virada do ano, sobre momentos infinitos, e não é que deu certo? Tente imaginar arvores dignas de um filme americano de terror (em que mais de uma vez imaginei algum cara, com uma fantasia ridícula e uma serra elétrica nas mãos, saindo de algum lugar), lá pelas 16h e o sol batendo no topo delas, e você ser guiada por meio aos galhos, e sentir toda a segurança que um par de mãos podem te dar (e um abraço também.). Me sinto bem, e não sei em qual o momento que me encantei com aqueles olhos escondidos por um par de lentes e um aro de óculos, talvez tenha sido no começo de tudo, ou talvez quando a luz do sol refletia nele. Ah, aquele dia… Você deve imaginar o bordão tão usado por nós fazendo sentido nesse texto. E uma escritora, que me lembra tons azuis, deve saber que os nossos relâmpagos vieram, um pouco fora de hora, mas tão bonitos quanto seriam no dia 31/12. E talvez Something About Us esteja certo, mas aquele caderninho azul me ensinou não só que o amor se esgota, mas que ele pode recomeçar (como em Disorder), e que podem haver muitas páginas em brancos para serem preenchidas.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Hora Azul

Querido amigo, hoje é dia 31 de dezembro, o ultimo dia do ano finalmente chegou. Pessoas esperam ansiosamente pela meia noite acreditando que uma vida nova começa. E me pergunto quantas delas tem um plano novo pra seguir, uma nova estrada. Todo aguardam as oportunidades da vida, e fazem promessas entre risos de entusiasmo. Sabe, os dias passaram tão rápidos, foram tantas responsabilidades, tanta falta de tempo. Quais foram as promessas para 2014? Quais eram mesmo os planos? (…) Fico imaginando se voltarei a escrever, da mesma forma que aquela menina não escreve mais à dois anos. Haviam tantas coisas para se dizer, mas agora estou aqui, sem saber como me reinventar com palavras. Preciso do ar que 2014 roubou de mim, preciso deixar que o cansaço escapar pelos poros. (…) Quando o relógio bater meia noite, quero me lembrar de todos os momentos que fizeram meus infinitos, que valeram os 365 dias a pena. Mas é engraçado em como me lembro com clareza, apenas do solstício passado. Talvez amadurecer seja isso, perceber que os dias se passam, e a boa época não volta. Hoje, querido amigo, consigo me lembrar de como era ter 16 anos, e consigo ver, todas aquelas lembranças que viraram fotos antigas. Talvez eu tenha que agradecer, pela chuva que nos pegou de surpresa, pelas musicas que nos acompanharam, pelas tardes em que queríamos que o mundo andasse com mais calma. Hoje não faço parte de nada, apenas do mundo, de todas as lembranças dos momentos que foram importantes apenas pela consciência disso. Hoje quero que o mundo se abra, e que novos caminhos se trilhem, mesmo que a estrada não faça sentido, mesmo que eu me perca no meio do caminho, mas que encontre o sentido novamente. Há um universo de oportunidades, apenas esperando que nós as encontremos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Aquela antiga canção

Reli Sobre arvores e xícaras de café, e então pude entender. As coisas mudam não é mesmo? Mas porque me encontro exatamente na mesma situação? Hoje é domingo, e a chuva não cai do lado de fora, só havia aquele sol brilhante e o calor que não me deixou dormir. Estive lendo aquelas mesmas cartas, das 12h30 às 18h00, e minha cabeça continua cheia. Não falei sobre árvores e não tomei café. Porém me lembrei do dia anterior, e senti saudade dos nossos infinitos. Em comparação dos anos, minha escrita diminuiu drasticamente. Escrevi 55 textos em 2013, em contra partida, há apenas 11 em 2014. O que há de errado? Cadê a vontade de me expor em palavras? Fico triste em constatar que minha agonia grita e não pode mais sair. Me perdi entre o tempo e não consegui voltar. Há tanto para dizer, e tão pouco sentido, já não sei me colocar na frente, não consigo libertar as palavras que tentam incontrolavelmente achar uma saída. Faltam 10 dias para que 2014 acabe, e eu não sei de que lembranças me orgulharei quando o relógio bater às 00h. Quando foi que me perdi de mim mesma? (…) Sai subitamente da minha rotina, perdi meu emprego, como quem foge para se abrigar. Tenho passado 24 horas em puro ócio, e tenho pensado demais. É que bate aquela nostalgia, sabe? E agora tenho a madrugada como companhia, e tenho medo de voltar a enlouquecer. Quero desesperadamente abraçar o mundo, e ficar esperando o aval do tempo dói! Parece que a vida esta passando pela janela, e eu estou ocupada demais esperando a idade certa para viver. (…) Vi fotos antigas, e me fez sentir falta de 2013. Sinto falta de estar naquele lugar, ouvindo aquelas mesmas músicas, de saber que tudo ficaria bem, porque eu pertencia a algum lugar. Os risos não são sinceros agora, e eu estou vivendo no modo automático. E quando me perguntam sinceramente se estou bem, já não sei o que responder, e só consigo pensar; “Eu estou bem?”. E acabo sorrindo e balançando a cabeça em sinal de afirmação, porque, afinal, não há o que dizer. Passei 8 meses sem tempo para indagações, o tempo me faltava, e eu só queria descansar a cabeça no travesseiro para ter um novo dia. E hoje todas as perguntas que ficaram presas estão sendo jogadas de volta a mim. Antes eu sabia exatamente o que fazer, mas hoje lembrar de como corremos na chuva não está ajudando, porque são lembranças agora, e tudo se transformou em fotografias antigas, e porque não tenho mais 16 anos, e é difícil me lembrar de como era ter essa idade. Você também fracassou, Charlie? Cadê os infinitos agora? Eu realmente não sei. “E diz que só queria descansar, de quem a gente mesmo escolheu ser…” (…) Eu só queria poder repetir tudo o que já escrevi, pois não há mais nada aqui, só um amontoado de dores que já conheço bem, são saudades com gosto de adeus. Dezembro sempre me traz nostalgia, a vontade de ter feito mais com os dias que passaram. É segunda feira, e eu não sei que diferença isso fará. E me lembrei de todos os momentos felizes, mas não consigo me sentir feliz, talvez haja tanto vazio aqui, que não dê para acalentar com lembranças que tanto guardo. É só uma saudade grande de ser quem eu era, de não querer estar em nenhum outro lugar além daquele, e saber qual era o motivo. É triste escrever sobre solidão, o mais triste é saber que já falei tudo o que tinha de dizer, e não há mais palavras, só aquela foto em que todos nos esperávamos que desse certo, e aquele abraço de despedida que não dei em ninguém. Éramos tantos e fomos heróis de nossas próprias histórias em cada parada de estações de trem. (…) Havia tanto para dizer, e agora não consigo chegar ao final. Talvez devesse dizer que ontem eu dormi feliz, o sol se pôs e nós andamos por ai, elas eram novas, estavam entre seus 16 anos, percebi o quanto tinham bons pensamentos para o futuro, e nós olhamos o céu e eu pude me sentir parte de algo novamente. E entre os risos em um ônibus lotado, e eles falavam alto e me lembrei de como era rir de verdade, e não querer estar em outro lugar. Mas o peso disso veio em minhas costas ao acordar, por saber que diferente de antes, esses momentos não eram mais frequentes. Sinto falta dos infinitos, e do azul que aquela menina me falara. E agora, José? O que é que a gente faz da vida? Não sei, nem Drummond sabia. Só que talvez seguir em frente seja a melhor pedida para a noite, juntamente com uma bebida gelada.