quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Grande Inverno da Russia

Minha vontade de escrever se foi. Foi sem dar sinal de paradeiro, ou retorno. Foi sem nem perguntar o que eu seria sem ela, como eu iria fazer quando as lágrimas não coubessem mais nos olhos, e eu estivesse com medo de deixá-las caírem. Ela me deixou aqui, sem saber o que fazer, tentando e tentando, sem sucesso algum.
 Palavras soltas, verbos sem conjugações, interrogações, pontos finais, e virgulas, tudo se mistura, formando um nada, um nada tão grande que perfura todo o meu sentir, que me faz perder o ar dos pulmões. Eu tenho necessidade de dizer, através das palavras, tudo o que não ouvem atrás da minha voz, tudo o que não aparece, através do meu olhar, tudo o que meu sorriso tampa e mascara.
Mais uma vez eu me perdi nas linhas das minhas palavras, tentando fazer com que todo esse sentimento se exploda nas linhas brancas que estão diante dos meus olhos cheios de sentir. Mais uma vez eu não soube com quais palavras começar ou seguir, sem ter ao menos uma frase fazendo sentido. Concordâncias, verbos, substantivos, advérbios, artigos, sujeito, predicado, corretos, incorretos, simples, compostos, singular, plural, futuro, passado e presente se misturam. Minha vontade de me desfazer nas palavras fica maior a cada começo jogado de lado, a cada sentimento sendo quebrado sem saber como continuar. Mas, como expor aquilo que esta no ímpeto da alma? Aquilo que está intocável no coração? Ou lágrimas ou palavras, escolha. Eu prefiro escrever, prefiro criar um mundo meu, fazer e desfazer, iludir e aumentar. Essa é a minha vida.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Se fiquei esperando meu amor passar.

 Ei querido, como está? Sinceramente, eu espero que você esteja bem melhor do que eu estou no momento. Sabe, essa deve ser a décima quinta carta que te escrevo, sem nenhuma intenção de entregá-la em mãos. Mesmo prometendo não escrever mais para você, sempre resta algo não-dito, algo por colocar no final. E meu conforto é poder escrever sem me preocupar com o que você poderia achar, ou com os risos de desdenha que você daria. É que era tudo tão bom, sabe? Que agora, pensando em tudo, fica difícil acreditar que foi tudo mentira, ou acreditar que tudo não passou de um sonho. E então eu penso em como as pessoas podem mentir desse jeito. Você foi o mais perto que ninguém jamais conseguiu de mim. Você quase desvendou os meus medos, quase desfez minhas amarras, quase me teve por inteiro. Quase.
 Agora eu te vejo de longe, e aquela vontade de te abraçar não explode mais no meu peito, vai ver eu já me acostumei a não te ter mais, mas de alguma maneira, você ainda ronda meus pensamentos, como uma incógnita, sem nenhuma explicação. E se você não tivesse ido, onde estaríamos agora nessa tarde ensolarada? E se você tivesse me abraçado naquela hora, olhando nos meus olhos e me pedido pra esquecer tudo, que suas palavras foram tolices? E se eu tivesse feito tudo diferente? E essa sombra do ‘e se’ me atormenta, me tira o sono, me faz pensar no que poderia ter sido e não foi, e eu não quero mais pensar em nada disso. Estive olhando por tempo demais para suas fotografias, e me fez lembrar em como seu sorriso era bobo, e em como seu corpo em aquecia. Você nunca vai saber que, quando você foi embora, aquela sua blusa, tão maior que eu, era meu conforto para me fazer dormir a noite, e esperança que você fosse voltar. Tolice demais, eu sei, você já não ligava mais. Um mês havia se passado, e o cheiro daquela blusa ainda não tinha saído, e eu não reclamava por isso, afinal, aquilo era você nos meus sonhos loucos, onde eu acordava na madrugada a sua procura. Mas ela não fez mais sentido no quinto mês. Joguei-a fora, sim, meus olhos estiveram mais vermelhos naquele dia do que em todos os outros meses. Talvez fosse por saber que você não voltaria, e minha ficha tinha realmente caído. Depois daquele dia eu passei duas semanas trancada no meu quarto, sem responder a ninguém.
 E hoje faz um ano sabe, mas tudo bem, você já não me afeta mais, sua presença não me incomoda como antes. Agora eu posso voltar aos lugares que íamos juntos, sem precisar sair correndo pro medo de me verem chorando. Eu te amo ainda, acho que isso nunca vai mudar, mas eu acho que esse é o nosso final querido, bem, me deixa enxugar as últimas lágrimas e te dizer adeus, mesmo que você não saiba. Durma bem.

sábado, 27 de agosto de 2011

Refrão de Um Bolero



De: Uma garota qualquer. 
Para: A pessoa mais sortuda do mundo.
Ei garota, eu só queria te avisar uma coisa; ele te ama. Eu sei, você fingi que não sabe, aliás, quem não sabe? Eu sabia disso, bem antes de me apaixonar por ele. Masoquismo? Não, eu achei que ele te esqueceria, achei que seria diferente do que sempre é. Mas ele não conseguiu te esquecer, e eu entendo, você é perfeita, como qualquer garota gostaria de ser, e o tipo perfeito para qualquer garoto, o tipo perfeito para ele.
 E eu queria saber querida, por que você ainda não se jogou nos braços dele? Eu sei que ele faz de tudo para te fazer sorrir, eu sei que ele pensa em você 24h por dia, que é carinhoso e romântico, e que nunca te magoou. 
 Sabe, se eu o conheço bem, pode apostar que agora ele esta olhando para o teto do quarto dele, pensando em você, no que você disse e no seu sorriso. E eu sei que ele sorri junto, enquanto ouve as músicas que vocês dois tanto gostam. E eu também sei que ele sonha com você, tanto acordado como dormindo, sabe aquela família linda que vocês formariam, então. 
 Sabe, talvez se você deixasse, você também iria se apaixonar, talvez se você se permitisse, você descobriria o quão bom ele poderia ser para você. Ele tem manias encantadoras, do tipo apaixonante. E você pode dizer o que quiser, ele sempre vai estar lá. Ele vai te fazer sorrir, enxugar suas lágrimas e te abraçar. Vai te deitar no colo e acariciar seus cabelos, até que você durma, e então ele vai ficar te olhando, pensando em como tem sorte em estar com você. E sabe o que é pior? Você tem tudo isso e não se importa, não da a minima. E não sabe o quanto eu desejaria estar no seu lugar, sendo amada desse jeito. Agora garota, tome uma atitude logo, por favor, me mataria se ele estivesse com você, mas mesmo a ideia de vocês juntos me dilacerando, é mais doloroso vê-lo se arrastando aos seus pés desse jeito. Eu quero vê-lo feliz, sabe? Eu quero poder ver aquele sorriso no rosto dele, aquele sorriso que eu tanto preciso, e eu não me importo se seja você quem o faça sorrir, mas simplesmente o faça. E uma última coisa, não deixe que aquele olhar se apague, que o brilho dos olhos dele sumam, eles são meu ar, você não só acabaria com ele mas me mataria também. Faça-o feliz, por favor.
(meumundoilusionário♥) 

sábado, 23 de julho de 2011

A Tempestade

E então viu-se sozinha novamente, abraçada pela escuridão daquele quarto que nunca antes fora reconfortante. A solidão acariciava sua face, acolhendo-a, mostrando que não importasse quantos, ela sempre iria estar lá no final de tudo.  As lágrimas, que antes fizera tudo para não deixar rolar, agora passeavam livremente pela face pálida, uma a uma, e nada mais a fizeram parar. Sentia-se tola, estúpida e ingênua. Não sabia mais quantos adjetivos ofensivos poderia usar para expressar toda a raiva que havia chegado, explodido dentro de seu peito, como fogo em palha, como se até a mais forte água fosse incapaz de ajudá-la. Foi então que um raio, seguido por trovões, iluminou toda a escuridão de seu quarto, e por segundos iluminou também seu interior. Limpou as lágrimas e sorriu. Da sua janela, viu a tempestade que havia se formado, viu o céu cinza e o vento forte que derrubava as folhas secas das árvores, e viu seus sentimentos naquelas árvores, nas folhas que caiam fragilmente, quando aparentemente, eram tão fortes. Sorriu. Logo os primeiros pingos de chuva caíram, magnificamente frias, e rapidamente a chuva mostrava sua força, sua magnitude. E então a tempestade começara. E então adormecera, na sua dor, na sua raiva, no seu coração despedaçado. Ela sabia, na aurora seu sorriso esconderia as lágrimas da noite interior. Nada mais veriam. E a promessa de ser fria, magnífica e forte como a tempestade, sobrara somente isso, a esperança de nunca mais ter seu coração partido.

Andreia Doria - Clarisse

 Oh, vocês não imaginam quantas pessoas eu já observei, quantas pessoas conheci, no mais intimo de suas almas, no mais fundo de seus corações. Na verdade eu gosto de ver as pessoas, de reparar nos sorrisos, nos olhares e nos jeitos, mas nunca me esquecerei daquela garota, daquele semblante forte, que escondia mil e umas fraquezas e fragilidades, daquela pessoa tão incrível que ninguém nunca percebeu.
 Faz tempo, sim, como faz, mas ela continua intacta nas minhas lembranças, cada uma delas. E é tão incrível como as pessoas não enxergam coisas simples, como um sorriso e um piscar de olhos, é só reparar, os pequenos detalhes mostram mais que horas de conversa. E foi no meio de tantas pessoas que eu a encontrei, sentada em um canto qualquer, junto com vários amigos, e ao mesmo tempo se sentindo totalmente sozinha, como sei isso? Simples, ela podia estar sorrindo, mas seus olhos me mostravam a verdade que ninguém nunca tentou procurar. Ela sempre esteve lá, dando amostras de seu interior, dando risada de tudo, simplesmente encantadora, e como ninguém nunca a notou? Eu não sei.
 Mas nem sempre é assim, nem sempre eu consigo ver o que ela está sentindo de  verdade, porque ela fingi muito bem. Ela sempre foi boa em atuação, em mostrar felicidade quando essa não existia, disfarçando tido apenas com seu sorriso, e como era lindo seu sorriso, ela não gostava, não acreditava, mas era o sorriso mais lindo que já vi.
 Nunca entendi o motivo de terem quebrado aquele coração, de como o garoto que o fez era idiota por tê-la perdido. Ele fora o primeiro que conhecera o seu interior, que descobriu o quão diferente das outras ela era. Ele descobriu seus ataques de insegurança e suas indecisões, e não eram poucas. Mas ele nunca notou coisas simples, como sua mania de falar demais e rir de tudo. Sua paixão por escrever, ler, ouvir músicas e desenhar. E como os fazia, era uma necessidade incontrolável, e poucos sabem disso.
Ele nunca percebeu em como ela era engraçada, em como era desastrada e as vezes tímida. Como se camuflava atrás de uma capa de pseudo-frieza, tentando evitar sofrimento. E em como ela era estranha, adoravelmente estranha. Mas ele mentiu, a fez acreditar em um suposto amor e logo depois foi embora. Por que ele o fez? Bom, isso ela nunca jamais vai saber.
 Ela era só uma garotinha medrosa, uma garotinha que fingia ser forte e não ligar para sentimentos, uma garotinha que tinha medo de sofrer de novo, mas que sempre ficava em duvida entre tentar e recuar. Eu descobri isso na primeira vez que a vi chorar, lá estava ela, abraçada ao seu travesseiro, com suas músicas e seus textos, chorando. Lágrimas e mais lágrimas caiam, e perduraram pela madrugada inteira. A escuridão a acolhia, e eu percebi que ela nunca iria chorar na frente de ninguém.
 As vezes eu tinha a sensação de que ela iria explodir, de que não agüentaria mais, mas eu sempre estive errado, ela sempre conseguia levantar a cabeça e sorrir, mesmo que para ela, tudo estivesse desabando. Ela era surpreendente, conselheira e amiga, não importava quem fosse, ela estava disposta a ajudar. Esperta e desconfiada demais, porque não importa o que diziam, ela nunca acreditaria totalmente.
  A ultima vez que a vi, faz tempo, lá estava ela escrevendo mais uma vez, desabafando por meio das palavras, fazendo delas seu consolo, seu ombro amigo. Escrever, para ela, era a única forma de dizer sem precisar falar absolutamente nada, e ninguém sabia, que somente lendo as entrelinhas de seus textos poderiam a conhecer como eu a conheci. E dessa vez lá estava ela, concentrada, pensativa, escrevendo sobre ela mesma, escrevendo sobre o que ela queria poder acreditar que realmente era, talvez por isso o fosse, ou talvez tudo se perderia nas linhas e ela se anularia novamente. Mas quem sabe, no querer acreditar, ela não passasse a sê-lo?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Like a Stone

Mais um dia havia se passado, e de tão vagaroso, era quase possível sentir o pesar que eles se arrastavam. Como que se não quisessem sumir para dar lugar a um outro dia, como se quisessem ficar ali, para sempre. Mas ela ansiava pelos dias, como se eles fossem seu remédio, e talvez quem sabe fossem mesmo. Inspirou e expirou. Tirou os grossos cobertores de sobre seu corpo e se levantou, indo em direção ao pequeno banheiro de seu pequeno quarto.
 A água que escorria pelo seu corpo tirava todo seu pesar, toda sua magoa, fazia-a se sentir viva de novo, mesmo que por alguns minutos, mesmo que todo aquela dor fosse voltar depois. Encostou a testa nos azulejos da parede, e fechou os olhos, apenas mais alguns dias… Era isso que a fazia se levantar todas as manhãs e enfrentar todas as pessoas a sua volta, era isso que a fazia continuar a respirar. A esperança dos dias irem, e o tempo fazer seu trabalho, a esperança dos dias acabarem e não ter que olhar mais ao redor, a esperança de estar novamente em casa. E mais uma vez colocou os fones nos ouvidos, apertou o play da primeira música que apareceu na sua lista, aumentou o volume, pegou seu casaco, abriu seu sorriso e saiu de casa. Era assim que aprendera a viver, sorrindo e não ouvindo mais nada. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Segredo da luz

Um dia olhando para o céu de uma noite escura, ela chorava. O motivo, embora um pouco tolo, era o problema que tinha com ela mesma. Ela si odiava, se achava ridícula, feia e estranha. Passava dias e dias desejando ser outra pessoa, ou qualquer outra coisa. As estrelas daquele céu brilhavam e ela desejava aquele brilho pra si, algo que a individualizasse das demais garotas. E foi desejando esse brilho que adormeceu, como das muitas outras vezes.
 Os dias se passavam, e aos olhos dos outros, ela continuava a mesma garota invisível. Ninguém sabia  a garota incrível que ela era, ninguém queria conhecer. Por que as pessoas nunca notam o quão incríveis as outras pessoas podem ser?
 Ela vivia isolada do mundo, sua única companhia era sua música e seu fone de ouvido. E assim ela viveu, sempre a sombra do que as pessoas achavam e viam. Ninguém se aproximava.
 Sorria e sofria. Era sempre assim, uma pessoa com um sorriso estampado na face, porém com um coração quebrado no peito, que ainda batia.
 Um dia, olhando para aquele mesmo céu, e com as mesmas lágrimas no rosto, ela resolveu se aceitar, decidiu então, que ela era ela, e assim seria. Não se escondeu, não sentia mais vergonha de si. E então aos poucos algumas pessoas se aproximaram, algumas se encantavam, outras desprezavam o que conheciam dela. Ela aprendeu a lidar com seu estranho jeito e suas estranhas manias. Aprendeu a lidar com todas aquelas criticas que passou a receber. Aprendeu a gostar do seu interior e do que o reflexo refletia. E gostando do seu jeito, as pessoas a viam. Alguns não sabiam explicar que brilho era aquele, que a individualizava das outras tantas garotas.
  Porque sendo exatamente como ela era, ela não precisava mais ter inveja das estrelas, pois agora tinha seu brilho próprio.